Adhemar e a revolução de 1964

 

Adhemar em “O Cruzeiro”
Não toquem em São Paulo!

ADVERTINDO, solenemente, aos totalitários de tôdas as tendências, que São Paulo não tem vocação para carneiro de Panúrgio, o Governador Adhemar de Barros, no jantar que lhe foi oferecido por O Cruzeiro, disse que qualquer solução para os problemas nacionais terá de ser encontrada dentro dos quadros democráticos e que, se tentarem jogar alguém pela amurada, êste, com certeza, não será São Paulo, que jamais deixou de cumprir a sua missão histórica de guardião das liberdades do povo brasileiro.

Saudado através da palavra de Paulo Cabral, pelo Sr. Assis Chateaubriand, como o homem que provou ter o arremêsso dum tigre malaio, Adhemar de Barros foi recepcionado pela direção desta Revista e por cêrca de trezentos convidados, entre os quais se destacavam o Chanceler Vasco Leitão da Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, o Marechal Augusto Magessi, ex-presidente do Clube Militar, o Jurista Francisco Campos e os Embaixadores do Japão, Itália e Grécia, além do Ministro da Agricultura, Hugo de Almeida Leme, e do Deputado Amaral Neto.

A tônica das saudações ao Sr. Adhemar de Barros, feitas, respectivamente, por D. Amélia Whitaker Gondim de Oliveira, diretor-presidente de O Cruzeiro; Pereira de Cerqueira, representante do mais nôvo Estado da Federação, o Acre; Paulo Cabral, representando Assis Chateaubriand, e Theophilo de Andrade, comentarista internacional desta Revista, foi sempre a de ressaltar a posição enérgica e decidida assumida pelo Governador de São Paulo, antes e depois do 31 de Março. D. Lili afirmou, em sua aplaudida saudação: Vós sois um dos heróis desta Revolução. Nunca falhastes no combate prévio ao Govêrno que caiu, e, na hora da ação, vossa contribuição foi das mais importantes para a vitória final, credenciando-vos à posição de um dos paladinos máximos do movimento.

O discurso de Chateaubriand foi, primeiramente, de recordação das tantativas de Adhemar de Barros para ajudar os Diários Associados, tentativas baldadas, por sinal…, até sua fabulosa contribuição para erigir a sede do Museu de Arte Moderna de São Paulo, na Avenida Paulista, estando êste consagrado já como um dos dois grandes museus surgidos no mundo contemporâneo. Aludiu, também, Chateaubriand, na mensagem lida por Paulo Cabral, à personalidade prodigiosa de Adhemar no Brasil de hoje, à sedução de sua individualidade, galvanizadora da Pátria. E, referindo-se ao 31 de Março: Vosmecê provou, numa hora de eclipse de sua Pátria, que tinha dentro de si o arremêsso dum tigre malaio…

O salão nobre de O Cruzeiro, decorado com motivos e frutas tropicais, inclusive com uma fonte luminosa (no centro da fonte duas pequenas baleias, esculpidas em abóbora pelo casal Manoel Mendez Pereira, expeliam guichos de água cristalina), completava a beleza da noite e serviu de ambiente para que a voz forte do homenageado pronunciasse a oração ansiosamente aguardada pelo País inteiro. Inicialmente, o Sr. Adhemar de Barros, antes de entrar na leitura do seu escrito, recordou as múltiplas campanhas empreendidas ao lado de Assis Chateaubriand, entre as quais a da aviação comercial e a da Casa da Criança, e fêz votos para que êle volte logo ao nosso convívio.

Lendo o discurso, o Governador Adhemar de Barros entremeou-o com passagens de improviso:

  • Em 1932, perdemos 5 600 irmãos; em 1964, estava São Paulo disposto ao sacrifício de perder muito mais…
  • Nós, que temos a fôrça, queremos a paz e a tranqüilidade; só os fracos querem brigar…
  • São Paulo não contribui mais com 2/3 da arrecadação nacional. Sua contribuição, hoje, é de 3/4…
  • Só o Banco do Estado de São Paulo já financiou, com 50 bilhões, a safra dêste ano. Acabo de vir do Vale Paraíba e já encontrei ali arroz da nova safra. Os especuladores, que escondem o produto para ganhar dinheiro, vão-se decepcionar. São Paulo pode alimentar o Brasil…
  • Prevendo tôdas as possibilidades, inclusive a de derrota da nossa Revolução, encomendamos ao Jurista Francisco Campos a redação de uma Constituição que iria ser a de São Paulo, apartado do resto do Brasil comunizado…
  • A classe média, os profissionais liberais, estão passando muito mal, mesmo com as medidas econômico-financeiras do atual Govêrno…
  • É preciso deter essa onda de estatismo e favorecer a inicativa privada. Dou um exemplo: a Cia. Paulista, que era um modêlo de ferrovia, depois que passou para as mãos do Estado, custa-lhe 22 bilhões, quando não custava nada. Quis devolvê-la aos antigos acionistas e não foi mais possível…
  • Levem ao grande capitão a certeza de que haveremos de continuar na mesma senda, com mêdo só de Deus. Só queremos chegar ao outro lado, onde nos encontraremos, e podermos olhar um para o outro de frente, com honra. Para a frente e para o alto!

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