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O homem que colocou São Paulo e o Brasil no rumo do desenvolvimento

fevereiro 12, 2010
É consenso entre historiadores que a Revolução de 1930 abriu as portas para o Brasil começar a construir a modernidade. O Estado de São Paulo, onde havia maior disponibilidade de capital, foi um dos principais propulsores do processo de industrialização que então começava a se desenvolver e se prolongou até o final da década de 1960.
 
Nesse período, Adhemar de Barros foi, senão o principal, um dos mais importantes líderes políticos a conduzir esse processo no Estado. Governou São Paulo durante 12 anos: quatro como Interventor e oito como Governador, eleito e reeleito pelo voto popular. E ainda foi deputado estadual e Prefeito da capital.
 
Criou o Partido Social Progressista – PSP, que deu sustentação não só ao seu projeto político em âmbito estadual, mas ao projeto nacional de transformação do país. No período em foco, o PSP foi a principal força política em São Paulo e alcançou dimensão nacional, com presença marcante nos Estados do Maranhão, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
 
Adhemar perseguia o sonho de ser presidente da República. Foi candidato às eleições de 1950, desistiu, lançou a candidatura de Vargas e contribuiu decisivamente para sua vitória. Na campanha de 1955, perdeu para Juscelino Kubitchek. Em 1959 está outra vez percorrendo o País e nas eleições presidenciais de 1960 perde para Jânio Quadros.
 
Não desistiu. Em 1962 disputou as eleições estaduais e foi eleito governador de São Paulo, derrotando Jânio Quadros. Em 1964/65, depois de ter apoiado decisivamente o movimento que depôs o presidente João Goulart sai de novo candidato mas não houve eleição. 
 
Da mesma forma que é evidente a importância de São Paulo na industrialização e modernização do Brasil, é incontestável a importância do papel protagonizado por Adhemar de Barros nesse processo, o que justifica a necessidade de se apresentar ao público os fatos, as ações e o pensamento que nortearam sua trajetória como administrador público, empresário e dirigente político.
 
Origem e Formação
Sebastiana Leopoldina Schimidt nasceu em 1841 e casou-se em segundas núpcias com José Emygdio de Barros (24/3/1825 – 15/1/1888), proprietário de terras em sesmaria na Serra do Araquá, com quem teve 14 filhos. Em 1899, seu filho Antonio Emygdio casou-se com Elisa Pereira, filha de ricos fazendeiros da região de Piracicaba. O casal teve cinco filhos: Adhemar Pereira de Barros, (1901); Oswaldo Pereira de Barros (1903); Antonio Emygdio de Barros Filho (1905); Geraldo Pereira de Barros (1910); e Maria José Pereira de Barros (1918).
 
Sebastiana, que residia na Fazenda Redenção do Araquá, foi a matriarca que consolidou o clã e a fortaleza dos Barros em São Manoel, na região de Botucatu. Viúva, viveu mais 42 anos administrando os negócios da família junto com Antonio e Elisa. Herdaram, compraram e formaram novas fazendas.
 
Adhemar Pereira de Barros nasceu em Piracicaba e passou sua infância em São Manuel. Após estudar no Ginásio Anglo-Brasileiro, foi para a Escola Nacional de Medicina no Rio de Janeiro. Fez pós-graduação no Instituto Oswaldo Cruz (Rio de Janeiro), nos cursos de Parasitologia, Helmintologia e Microbiologia. Posteriormente fez residência médica na Europa, onde permaneceu dois anos entre Hamburgo e Berlim (Alemanha), bem como em hospitais na França, Áustria, Suíça e Inglaterra.
 
Em setembro de 1926, voltando da Europa no navio Cap. Polônio, Adhemar conheceu Dª Leonor Mendes – nascida em São Paulo, em 21/7/1905 –, filha de Otávio Mendes e Elisa de Moraes Mendes. “Foi amor à primeira vista. Encontrei aquela que seria um dia tudo para mim”,  registraria em seu diário. Dois meses depois ficaram noivos e se casaram no dia 6 de abril de 1927. O casal teve quatro filhos: Maria Helena, Adhemar Filho, Maria e Antonio.
 
De regresso ao Brasil, clinica na especialidade de ginecologia até 1932, quando se alistou na Revolução Constitucionalista como segundo tenente médico. Em reconhecimento aos seus dotes de estrategista, foi promovido a capitão e a delegado militar na região de Aparecida e Lorena.
 
Em 1966, governando o Estado pela terceira vez, foi cassado pela Ditadura Militar instaurada em 1964. Ameaçado, partiu para seu terceiro exílio. Faleceu em Paris, de enfarte, às duas horas da madrugada, do dia 12 de março de 1969. Tinha 68 anos, 34 dos quais dedicados à política.
 
Estréia na Política
Em 1932, com os paulistas sublevados contra a revolução dos tenentes que havia deposto o presidente Washington Luís, fecha seu consultório e se alista como oficial médico no exército de Isidoro Dias Lopes. Em reconhecimento a seus dotes de estrategista, foi promovido a capitão e a delegado militar na região de Aparecida e Lorena, no Vale do Paraíba. Em carta a sua esposa ele descreve as agruras da frente de batalha:
 
 “O ruído do canhão quase que não faz medo, a metralha assusta mais e é muito mais traiçoeira. O avião é que assusta muito; naquelas 2 horas que lá passei tivemos 5 feridos gravemente por granadas lançadas…” . Para escapar da repressão após a derrota de 1932, saiu com outros próceres revolucionários para o exílio, primeiro no Paraguai e depois na Argentina. Voltou decidido a fazer política.
 
Convidado por seu tio, o senador José Augusto Pereira Rezende, chefe do Partido Republicano na região de Botucatu, Adhemar se candidatou e foi eleito deputado e constituinte estadual nas eleições de outubro de 1934.
 
Na Assembléia Legislativa do Estado coloca-se em oposição tanto ao governo estadual de Armando Sales como a Getúlio Vargas. Como legislador lutou pela anistia aos presos políticos, denunciou desmandos no Instituto Butantã e se preocupou com os problemas dos agricultores, principalmente os dedicados à cultura do café. Em novembro de 1937 teve seu mandato cassado pelo Estado Novo  mas não cessa de se articular politicamente. 
 
Interventor em São Paulo 1938-1941- O SEU PRIMEIRO GOVERNO
A Revolução de 1930 rompeu com as estruturas de poder da oligarquia agrária da República Velha iniciando período de intensas contradições. Em novembro de 1937, Getulio Vargas proclamou o Estado Novo que muda completamente o panorama político com o fechamento dos legislativos em todos os níveis, a nomeação de interventores nos Estados e municípios e reformas administrativas.
 
Esse rompimento foi traumático em São Paulo que reagiu com a Revolução de 1932. A derrota não pacifica os paulistas. Comunistas à esquerda e integralistas à direita também pressionam por maior espaço político.
 
Para preencher o vazio político em São Paulo, Getúlio Vargas queria alguém não comprometido inteiramente com as forças tradicionais mas que tampouco fosse por elas rechaçado. É quando Filinto Muller lhe apresenta Adhemar de Barros. O encontro ocorreu em São Lourenço, Minas Gerais, a 22 de abril de 1938, dia em que Adhemar completava 37 anos e foi nomeado interventor federal em São Paulo.
 
Entre 1938 e 39, substituiu todos os prefeitos do interior dando preferência a gente jovem, independente. Pensando no futuro formava sua própria base de sustentação política. “Desde que assumi a interventoria, dizia em 1939, voei 25 mil quilômetros de avião e visitei 58 cidades, muitas das quais jamais tinham recebido a visita pessoal de um chefe do Executivo Estadual”. Essa prática jamais seria abandonada em sua carreira política.
 
Médico, de formação humanista, priorizou enfrentar o problema da saúde pública, um dos mais graves no Estado, realizando gigantesca obra de saneamento básico e programas de erradicação das principais endemias como a tuberculose, o pênfigo foliáceo, lepra e outras.
 
Criou o Departamento das Municipalidades e manteve na prefeitura da cidade de São Paulo o engenheiro Prestes Maia. Ambos realizaram importantes intervenções urbanas que mudaram a paisagem da capital paulista. No interior, seu esforço foi no sentido de diversificar a produção agrícola até então quase exclusivamente centrada na produção do café. Iniciou programa de construção de estradas vicinais e iniciou a construção do complexo da Via Anhanguera/Via Anchieta, modernas vias de concreto para escoamento das safras agrícolas para o porto de Santos.
 
Um dos primeiros atos como Interventor foi a criação do Conselho de Expansão Econômica que reuniu empresários de todos os setores: da Federação das Indústrias, Associação Comercial, Sociedade Rural Brasileira e outras organizações da sociedade civil.
 
Em março de 1940, por ordem de Getúlio Vargas, determinou a interveção no jornal O Estado de São Paulo, da família Mesquita, parente do ex-governador Armando Sales de Oliveira, ambos fazendo cerrada oposição ao Estado Novo. O diretor, Júlio de Mesquita Filho, saiu para o exílio. Somente em dezembro de 1945 o jornal foi devolvido a seus proprietários.
 
No final de 1940 o crescimento político de Adhemar já incomodava às hostes do varguismo. Acusado de conspirar contra Vargas e de malversação de recursos públicos, Adhemar foi demitido em junho de 1941, sem qualquer direito à defesa. Não obstante, provou sua inocência mais tarde perante o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo – Proc. TC 1/47.
 
1947-1951 – O SEGUNDO GOVERNO
Terminada a II Guerra Mundial Vargas foi deposto em 1945 e em 1946 foi aprovada uma Constituição inaugurando nova fase na política brasileira, com a formação de partidos políticos e realização de eleições diretas. Nesse cenário, o Partido Comunista Brasileiro – PCB –  emerge da clandestinidade e surgem o Partido Social Democrático – PSD -, a União Democrática Nacional – UDN – e o Partido Trabalhista Brasileiro – PTB -. Em São Paulo o Partido Republicano Progressista, criado por Adhemar de Barros, funde-se com o Partido Nacional Agrário e o Partido Sindicalista dando origem ao Partido Social Progressista – PSP. A 19 de janeiro de 1947 realizam-se em todo o país eleições para os governos dos Estados e suplementares para o Legislativo. Pela primeira vez disputava uma eleição majoritária.
 
Seu novo partido, o PSP, era mais forte no interior. Na capital eram mais fortes a UDN e o PCB. Com apoio dos comunistas foi eleito, derrotando inclusive o candidato de Vargas, Hugo Borghi.
No planejamento de seu governo, propõe a intensificação da produção agrícola para estimular o trabalho e a riqueza no interior, favorecendo a indústria e o comércio nos grandes centros. No final de seu mandato, já é candidato à Presidência da República. Além de fortalecer as bases do PSP no interior do Estado, viajava para ajudar a construir o partido nos demais Estados. Não obstante, para não deixar o governo nas mãos do vice-governador, Novelli Junior, genro do então presidente general Eurico Gaspar Dutra, de quem se tornara adversário, desiste de sua candidatura e lança a de Getúlio Vargas que estava recolhido em uma de suas fazendas no Rio Grande do Sul.
 
Na eleição de 1950 garantiu a vitória de Vargas com 48% dos votos e elegeu também seu sucessor no governo do Estado, o professor Lucas Nogueira Garcez.
 
Empresário de Sucesso
 No período 1941/45 dedicou-se prioritariamente às atividades empresariais, criando empresas industriais, agrícolas e de serviços. Tinha empresas nos setores de transporte, metalurgia, siderurgia e alimentação. Em 1940 comprou a Lacta tornando-a, em pouco tempo, a maior produtora de chocolates e derivados do País. Na agricultura, administrava criação de gado de corte e cultivava café, cana e cereais nas suas fazendas. Era proprietário das rádios Bandeirantes e América e dos jornais A Época, A Platéia, Jornal de São Paulo  e O Dia em São Paulo, e de O Dia do Rio de Janeiro. 
 
Processos
Um rumoroso episódio apresentado como escândalo pela imprensa de oposição foi o das Urnas Marajoaras. Acusavam Adhemar de Barros de ter se apropriado de uma urna funerária de antiga civilização da Ilha de Marajó. Ficou esclarecido que Adhemar havia ganho a urna de presente de um amigo e a doou ao Museu Paulista. Só que esta ficou esquecida no Palácio e ele foi acusado de ter-se apropriado da mesma. Quinze dias antes das eleições estaduais de 3 de outubro de 1954, o governador Lucas Nogueira Garcez fez com que o Banco do Estado de São Paulo processasse Adhemar com base no caso dos Chevrolets, apresentado como um escandaloso caso de estelionato pela imprensa de oposição.
 
Tratava-se de um fato ocorrido em 1949 que se acreditava superado. Jânio Quadros venceu aquela eleição por uma diferença de 0,9%. O PSP denunciou fraude mas não conseguiu sua anulação. No poder, Jânio Quadros processou Adhemar por crime de peculato com base no caso dos Chevrolets. Para não ser preso Adhemar partiu para seu segundo exílio, desta vez na Bolívia. Juristas de renome como Ataliba Nogueira, Esther de Figueiredo Ferraz e Teotônio Monteiro de Barros provaram sua inocência ante as instâncias superiores da Justiça. O ministro Nelson Hungria em seu voto perante o Supremo Tribunal Federal reconhece plenamente que se tratava de um processo político dizendo que “concedo o habeas corpus não só para anular ex-radice o processo penal contra o paciente, mas também para que nenhum outro processo se reproduza contra o paciente em torno dos fatos em questão”. Absolvido, voltou seis meses depois defendendo a integração continental.
 
Prefeito da Capital 1957-1961
Ao retornar do exílio, uma multidão acompanha Adhemar do aeroporto até a Catedral da Sé. No regresso passou por Pelotas, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, numa autêntica peregrinação de campanha.  A 24 de março de 1957 confirma sua popularidade ao derrotar Prestes Maia e ser eleito prefeito de São Paulo.
 
Prefeito, constituiu um Secretariado de alto nível, incluindo profissionais de renome como o professor Gofredo da Silva Teles Jr. na Educação e o banqueiro Amador Aguiar nas Finanças. Concentrou seus esforços em equilibrar as finanças do município, investiu forte em Educação e Saúde e em obras emergenciais, como a Operação Tapa Buraco, reforma da Biblioteca Municipal. Só que a Prefeitura não era seu objetivo. Em agosto de 1958 anunciou que era candidato ao governo do estado, com apoio do PTB e do PCB, na eleição de outubro de 1958. Perdeu para Carvalho Pinto por pequena margem mas rearticulou suas forças no interior. Em 1959 já está percorrendo o país novamente candidato à Presidência da República.
 
A eleição de 3 de outubro de 1960 foi disputada por Teixeira Lott, com apoio da aliança PSD/PTB, Adhemar pelo PSP e Jânio Quadros pela UDN/PTN. Adhemar sentiu-se traído porque havia apoiado Vargas em 50 com o compromisso de o PTB apóia-lo na eleição seguinte. Jânio venceu, mas em agosto de 1961 renunciou à Presidência da República mergulhando o País em grave crise institucional.
 
Superado o impasse, o vice-presidente João Goulart do PTB assume a Presidência em regime Parlamentarista. O Plebiscito retorna o país ao Presidencialismo. Goulart tenta vencer as resistências às Reformas de Base com apoio das organizações sindicais e populares.
 
TERCEIRO GOVERNO 1963-1967
Nos anos 1961 e 1962, as sucessivas crises em Brasília foram agravadas pelas campanhas para eleição de prefeitos, governadores e senadores em todos os Estados. Adhemar começou cedo sua campanha para o governo de São Paulo tendo como candidato a vice Laudo Natel. Jânio Quadros retornou da Europa e também se lançou na disputa pelo PTN.
 
Tomando posse no Governo do Estado para seu segundo mandato, não demorou para romper com o governo reformista  de João Goulart. O passo seguinte foi aliar-se aos governadores da Guanabara – Carlos Lacerda -, e de Minas Gerais – Magalhães Pinto -, e colocar toda a força econômica, política e militar de São Paulo a serviço da conspiração que culminou com a deposição do presidente Goulart por golpe militar em 1º de abril de 1964. Antes, em fevereiro de 64 já havia anunciado que era candidato à Presidência na eleição de outubro de 1965. Fazendo contraponto com o programa de ajuda à América Latina anunciado por John Kennedy, lança em São Paulo a Aliança Brasileira para o Progresso.
 
O objetivo era canalizar recursos do Estado e da iniciativa privada para os estados do Nordeste com o fim de financiar o desenvolvimento. Foi a principal liderança civil de sustentação do governo militar até que Castelo Branco com o Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965, dissolveu todos os partidos políticos e estabeleceu que  as eleições para Presidente e Governadores seriam realizadas de forma indireta. Inconformado, passou a conspirar abertamente contra o governo militar. Em 6 de junho de 1966, teve seu mandato de governador cassado pelo Ato Complementar nº 10.
 
Exílio e Morte
De novo ameaçado de prisão, desta vez pelo governo militar,  partiu para seu terceiro exílio. Em janeiro de 1969, estava em Nova York para submeter-se a uma dupla cirurgia: de hérnia e de cálculos. Dona Leonor, convencida por ele de que estava se recuperando bem, retornou a São Paulo.  Adhemar, logo depois, seguiu para Lourdes, santuário no sul da França onde, no dia 7, teve uma síncope. Um avião da Força Aérea Francesa o transportou de urgência para o Hospital Broussais, de Paris, onde foi assistido pelo dr. Henri Kaufmann.
 
Dr. Adhemar de Barros não resistiu e faleceu às duas horas da madrugada, do dia 12 de março de 1969.  Tinha 68 anos, 34 dos quais dedicados à política. Nesse mesmo dia, em Brasília, o general  Costa e Silva, na Presidência da República,  nomeia Paulo Maluf para ser o Prefeito de São Paulo no lugar de Faria Lima. 
 
Naquela madrugada de 16 de março de 1969, o Aeroporto Internacional de Viracopos, estava cheio de gente e de muita emoção. Parentes, amigos, correligionários, admiradores, adversários políticos, formaram um cortejo que ocupou dez quilômetros da Via Anhangüera.  Desde a noite anterior,  populares aglomeravam-se na rua Baronesa de Itu, nas proximidades do casarão onde Adhemar viveu a maioria dos anos de sua vida e onde seria velado.   Foi difícil controlar a multidão emocionada que o acompanhou até o cemitério da Consolação, na capital de São Paulo, onde foi enterrado no entardecer do dia 16 de março, ao som do toque de silêncio executado por Ex-combatentes da Revolução de 32.
 
Em seguida, a multidão entoou o hino nacional.  Sobre a lápide de seu túmulo gravaram frase sua, proferida em discurso na campanha presidencial de 1960, que resume seu pensamento: “Que Deus nos abençoe a todos e proteja esta Nação através dos séculos para torná-la feliz e cada vez mais útil a toda a Humanidade“.
 
Política de Saúde Pública
Como médico e administrador, a área da Saúde foi sempre prioridade para Adhemar de Barros. Em 1938, ao assumir como interventor, promoveu uma revolução: deu início à construção do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, inaugurado em abril de 1944, considerado o maior hospital-escola da América Latina; o Hospital de Pronto Socorro, dos Institutos Bacteriológico, de Higiene e de Medicina Legal. Criou também o Departamento de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina de São Paulo e os Institutos Emílio Ribas e Adolfo Lutz.
 
Com isso, a Faculdade de Medicina da USP e seus institutos tornaram-se os principais do continente. Em 1938, anunciou também que a “criação do Departamento de Saúde obedeceu à necessidade urgente de colocar nosso aparelhamento de defesa da saúde pública à altura das exigências atuais”. Suas obras de saneamento, as campanhas de educação sanitária e de profilaxia das enfermidades endêmicas – como a tuberculose, lepra, pênfigo foliácio – tornaram habitável uma das cidades de pior qualidade de vida no Estado.
 
Dados dessa época mostram, por exemplo, que mais de 10% dos óbitos no Estado de São Paulo eram devidos à tuberculose e não havia um só leito oficial para esses doentes. No primeiro governo, de 38 a 41, deixou o Estado com cerca de 800 leitos para este fim e, no segundo governo, acrescentou mais 9 mil. Entre suas obras como interventor estão o Complexo do Mandaqui – com o Hospital Sanatório para Crianças Tuberculosas e o Pavilhão para pacientes adultos – e o Pavilhão Infantil Leonor Mendes de Barros, para atender crianças carentes, criado em 1941. A saúde mental e o atendimento a pessoas com diversos tipos de deficiências também tiveram toda a atenção de Adhemar.
 
Entre outros feitos, criou a Instituição de Assistência Social ao Psicopata e, no ano seguinte, inaugurou o Pavilhão Judicial no Juqueri que foi ampliado em 1948.
 
Em 1949, instalou o hospital para psicopatas em Rio Preto. Como Governador (1947-1951), criou e estruturou a Secretaria da Saúde, o Departamento de Engenharia Sanitária e a seção de Higiene do Trabalho e as Delegacias Regionais de Saúde, com a finalidade de descentralizar o setor.
 
As realizações de Adhemar de Barros na área da Saúde totalizaram, em todo o Estado, a criação de 67 hospitais, 5 Institutos,  70 postos e/ou centros de saúde, 60 postos de puericultura. Entre elas, os grandes hospitais regionais de Marília, Pariquera-Açu, Bauru, Botucatu, Ribeirão Preto; as estâncias de Águas da Prata, Lindóia, Águas de S. Pedro e Termas de Ibirá.  Transformou Campos do Jordão em um grande centro especializado no atendimento da tuberculose.
 
Política de Saneamento
O médico Adhemar de Barros tinha consciência de que a saúde de uma população depende diretamente das condições ambientais – particularmente do saneamento básico, ou seja, o acesso a água pura e a coleta do esgoto e dos resíduos sólidos. Como administrador, associou ao esforço de organizar a atenção à saúde pública, igual esforço em obras de saneamento. Aquelas obras que são indispensáveis para um mínimo de qualidade de vida e que muitos administradores não gostam de fazer porque ficam sob a terra.
 
Ao levar água e esgoto às populações da capital e do interior, reduziu consideravelmente a mortalidade infantil e a ocorrências das enfermidades até então endêmicas, como a verminose, o tifo, a febre amarela e a varíola. Grandes adutoras que até hoje servem grande parte da população, como a Mooca-Penha-Santana, Mooca-Consolação, foram idealizadas e construídas por Adhemar ainda em suas primeiras gestões como administrador. Também foram obras suas os grandes reservatórios ainda hoje em serviço, como os de Vila Maria, Vila Romana, Consolação, Mirante, Araçá, Barão de Capanema, para citar só alguns dos mais conhecidos.
 
Em 1964 foram concluídos os estudos e sondagens para o projeto da represa do Juqueri, obra vital para o abastecimento de água da Capital. No interior, além dos muitos quilômetros de tubos para coleta de esgoto, e das estações de tratamento de água, cuidou também de questões básicas quase sempre negligenciadas como a construção de matadouros e a criação da vigilância sanitária.
 
Navegando pelo módulo do saneamento básico pode-se avaliar o esforço realizado por Adhemar de Barros e constatar os resultados alcançados. Preocupado, já na década de 1930 com a qualidade do Meio Ambiente, instituiu, através do decreto 10890 de janeiro de 1940, a Comissão de Investigação da Poluição das Águas do Estado, iniciativa pioneira no âmbito nacional. Também foi Adhemar quem introduziu o serviço medido de abastecimento de água na Capital e no Estado.
 
Política de Educação
Considerava Educação e Saúde os alicerces para o desenvolvimento nacional. Quando interventor, criou o Departamento de Educação; já Governador, separou a Secretaria da Educação e Saúde em duas secretarias especializadas. Propiciou ampla Reforma do Ensino e criou a Escola Normal Modelo Caetano de Campos, para servir de padrão didático. Nessa época, havia que desenvolver grande esforço nessa área, pois 50% da juventude em idade escolar estavam fora da escola. Em Decreto de 1939, determinou a construção de Parques Infantis em todos os municípios.
 
Queria colocar todas as crianças na escola. Quase conseguiu. Outra prioridade era a Educação Profissional, um dos mais poderosos fatores do soerguimento moral e econômico dos povos.
 
Em 1937, cria a Escola Técnica Profissional, em parceria com a iniciativa privada e com vistas ao desenvolvimento da atividade industrial. Serviu de modelo para criar, em seus sucessivos mandatos, outras 36 escolas profissionais industriais e agrícolas e também as vocacionais. Revolucionou o ensino médico com os hospitais-escola, a reforma e ampliação da Faculdade de Farmácia e Odontologia e da Faculdade de Medicina da USP, a criação da Escola de Enfermagem, institutos e departamentos especializados. São de sua iniciativa também as Faculdades de Medicina de Ribeirão Preto e Botucatu.
 
Viabilizou a USP dotando-a de sede própria e criando a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras. Reformou e ampliou a Faculdade de Direito e a Escola Politécnica além de criar a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Mais tarde iniciou a construção da Cidade Universitária.
 
Viabilizou também a Unicamp ao designar Zeferino Vaz para dirigir sua implementação. Ao todo criou 19 Instituições de Ensino Superior. Em seus quatro mandatos executivos, três no governo do Estado e um na Prefeitura, criou, construiu, reformou e ampliou  em todo o Estado, nada menos que 553 Grupos Escolares e 210 Ginásios. Além disso criou 44 Escolas Normais, 63 Escolas Profissionais e 96 Quadras Esportivas.
 
Política Cultural
A  obra mais importante realizada por Adhemar de Barros no setor cultural foi sem dúvida o grande esforço na área de educação no entendimento de que para desenvolver-se culturalmente dentro da modernidade um povo necessita de um mínimo de escolaridade. No módulo de educação se pode constatar que, somente no triênio 1938-1940, sendo interventor do Estado, construiu mais prédios escolares que nos 15 anos de 1920 a 1935. Paralelamente, o setor de educação superior também mereceu cuidados especiais. Revolucionou o ensino médico no país ao criar o Hospital das Clínicas e anexá-lo a Universidade de São Paulo.
 
Revolucionou igualmente o setor de engenharia ao chamar os engenheiros da Escola Politécnica para responderem ao desafio do planejamento e construção das estradas de rodagem e, principalmente, ao dar-lhes a responsabilidade para planejar e executar o aproveitamento do potencial hidroenergético do Estado. A tecnologia desenvolvida no setor de engenharia civil, a partir desse núcleo, passou a ser referência não só continental como mundial.
 
Foi Adhemar de Barros quem em 1948 acelerou a implantação da Cidade Universitária na USP, deixando claro entender que iniciava uma obra que seria trabalho para várias gerações.
 
Cuidou também de colocar bibliotecas públicas à disposição de grande parte da população. No período em que foi interventor construiu 37 bibliotecas, entre elas a Biblioteca Municipal da Cidade de São Paulo, instituição que ele mesmo, na década de 1950 reformaria e rebatizaria como Biblioteca Mário de Andrade. O número dessas bibliotecas, de 206 em 1946, era 307 em 1948, entre elas a Biblioteca Infantil Modelo e as Bibliotecas Pedagógicas. Como governador eleito organizou o Arquivo do Estado e mais tarde, como prefeito eleito da capital, organizou também o Arquivo Municipal, que funcionou por muitos anos na Avenida Consolação.
 
Além de reformar o Museu Paulista (Museu do Ipiranga, da USP) construiu 16 novos museus no interior e incentivou a construção de muitos outros. Também reorganizou a Pinacoteca do Estado e lançou novas bases para o Salão Paulista de Belas Artes. Outra característica de suas gestões foi a valorização do negro além disso foi grande  incentivador das manifestações da cultura popular bem como das comemorações cívicas em homenagem às datas e personagens importantes da nossa história.
 
Política de Transporte
Em todas as administrações, a política viária de Adhemar visava facilitar o escoamento das safras agrícolas à zona metropolitana e ao Porto de Santos, e também o sentido de marcha para o Oeste. Ele queria integrar não só o Estado e as regiões próximas dos Estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, mas também todo o continente. Assim, orientou a construção do complexo das Vias Anchieta/Anhangüera e da Castelo Branco que, segundo o projeto original, deveria terminar nas barrancas do Rio Paraná.
 
A política ferroviária obedecia o mesmo critério estratégico: não tratava só de escoar os produtos do interior paulista, mas de integrar o Oeste brasileiro e os países vizinhos ao Porto de Santos. Estendeu e eletrificou a Sorocabana e construiu o ramal Mairinque/Santos; estendeu os trilhos da Araraquarense e liberou recursos para melhoria da Paulista e da Mogiana.
 
Em 1941, enumerou as estradas de rodagem que havia construído no interior, num total de 781,1quilômetros, e de outros 296,8 km cuja construção já havia sido autorizada. Somava-se a essas realizações a construção de mais de 40 pontes. Como governador eleito, constam 45 estradas de rodagem concluídas, entre 1947 e 1951; 9 estradas iniciadas e concluídas entre 1947/48; 18 obras do programa de estradas vicinais; 9 estradas em construção. Promoveu o desenvolvimento do transporte aéreo apoiando as iniciativas privadas e construindo aeroportos. Entre eles, o Aeroporto de Congonhas, que passou a ser o de maior movimento na América Latina, e aeroportos em cidades do interior – como Jundiaí, Piracicaba, Jaú, São José do Rio Preto e Viracopos na região de Campinas.
 
Em 1940, construiu os Portos de Ubatuba e São Sebastião e iniciou a construção de um grande entreposto de Pesca em Santos, inaugurado em 1947. Em 1963, no Programa A Meta é o Homem, determina a implantação da linha de cabotagem entre Santos e Iguape, para possibilitar a ligação, por navegação interior, de Santos a Paranaguá. Iniciaram-se, também, estudos para implantação de hidrovia no médio Tietê e para o dimensionamento do Porto de São Sebastião. Nesse mesmo ano, autorizou a construção de portos pesqueiros em Cananéia, Santos e Ubatuba.
 
Em 1939, adotou medidas para elaborar e executar uma política viária. Em 1948, reorganiza o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), com vistas à descentralização e cria o Conselho Estadual de Aeronáutica Civil. Em 1963, criou a Secretaria de Estado dos Negócios dos Transportes e o Departamento Hidroviário.
 
Em 1963, entregou ao trânsito do Estado 891 km de novas rodovias. Iniciou a pavimentação de 1.150 km de estradas, além de 409 km asfaltados e entregues. Entre 64 e 65, foram concluídas 59 estradas em diversas regiões do Estado de São Paulo.
 
Como Prefeito de São Paulo, expandiu e promoveu o melhoramento das vias públicas da cidade, a construção de pontes, a aprovação de projetos de urbanização de áreas estratégicas e a implantação do sistema de transporte coletivo. Em seu terceiro mandato como governador, iniciou a construção do Metrô. 
 
Política de Desenvolvimento e Integração
Encarava a questão do desenvolvimento como um estadista e cobrava de seus governados a participação no esforço para alcançar seus objetivos: “Cada um que contribua com o seu grão de areia para a construção do Brasil maior terá cumprido o seu dever”.
 
Além de pregar que todo desenvolvimento deveria ser guiado por estratégias e planos setoriais, entendia também que devia haver uma integração dessas estratégias no âmbito estadual, nacional e mesmo continental. Explicitou bem esse seu conceito em discurso na IX Conferência dos Governadores da Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai, em 1965.
 
Essa região, conformada pelos Estados de  Mato Grosso, Goiás, Minas, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, congrega 53% da população e  40% do território nacionais. Identificou  para a região três problemas maiores: “o da navegação, o da eletrificação e o da industrialização. É natural, portanto, que a nossa visão e o nosso empenho ganhem projeções continentais e se preocupem com o mais dilatado futuro.
 
Dizia então: nosso governo, em São Paulo, está sob o signo do planejamento e da integração. Não compreendemos nenhum trabalho que diga respeito a uma projeção para ao futuro, desligado de uma planificação e de estudos dinamizados pelo propósito de colocar com firmeza, a técnica a serviço do homem(…). (…) Vejo, defendo e profetizo na área desta Comissão, sete pólos de industrialização regional, um em cada Estado membro. Sem inibições para outros centros produtores integrados na realidade de suas respectivas zonas, as quais dispensam e até mesmo proíbem conflitos de produção, para favorecer um intercâmbio rápido e econômico de matérias primas e manufaturadas. É bem de se ver o que representa a consecução deste objetivo: sete distintos pólos de industrialização regional, um em cada Estado, planificados para se completarem e apoiarem, aproveitando e servindo-se das circunstâncias e dos fornecimentos locais, valorizando o homem e a região, utilizando o gigantismo benéfico e, já então disciplinado, de um dos seus rios. Somos todos vizinhos, neste mundo só!”.
 
O Conselho de Expansão Econômica, foi o instrumento criado por Adhemar de Barros para propiciar a participação dos setores produtivos no planejamento e execução de sua estratégia de desenvolvimento. Aos empresários chamados a enfrentar esse desafio dizia: “Sonhamos com um São Paulo grande dentro de um Brasil ainda maior”.
 
Foi criado em março de 1939, reunindo a Federação das Indústrias, Associação Comercial, Sociedade Rural Brasileira, Instituto do Café e outros, da iniciativa privada e pelo Estado, representantes das secretarias da Agricultura, Indústria e Comercio, Viação, Fazenda, do Banco do Estado. Era órgão consultivo para os assuntos atinentes à economia e ao desenvolvimento. Teve como primeiros dirigentes, Heitor Penteado, presidente, Mario Beni, secretário e José Castro de Paiva. 
 
Resultado das iniciativas desse Conselho foi a abertura do mercado estadunidense para produtos brasileiros como laranja, mamona, minério e mandioca, para atender a economia de guerra daquele país. Além dessas funções, queria que ao Conselho não coubesse “…apenas a incumbência de dinamizar as forças do nosso cenário econômico e equacioná-las para os objetivos referidos. Há também que penetrar, em marcha reversiva, as suas fontes e origens, para aí operar, com pleno conhecimento dos fatores ambientais, a estruturação da aparelhagem estatal com que presentearemos o futuro, assegurando-lhe estabilidade e vigor, até nossos dias ainda não fruídos. (…) Esta câmara consultiva será, pois, chamada a prestar àquele departamento  do governo do Estado uma cooperação de grande alcance nas transformações por que deve passar, para habilitar-se a satisfazer os fins a que se destina”.    
 
Além desse Conselho, havia sido criado o Conselho Técnico de Economia e Finanças do Estado, presidido pelo próprio governador e pelo secretário da Fazenda, Coriolano de Araújo Góes Filho. Entre os conselheiros: Raphael de Abreu Sampaio Vidal, Victor da Silva Freire, Renato Paes de Barros, José Ayres Monteiro e José Vicente Álvares Rubião.
 
Uma das reformas propiciadas pelo Conselho foi a organização das Caixas Econômicas. Quando assumiu seu terceiro mandato, em 1963, tinha praticamente pronto o seu Plano de Desenvolvimento Integrado – Pladi. Que se preocupa em projetar os problemas e equacionar as soluções respectivas para um mínimo de dez anos sobre o futuro do Estado. Em 1963, propiciou o reaparelhamento e nova regulamentação para a Junta Comercial do Estado, valorizando a participação do setor na gestão do Estado.
 
Em seu segundo mandato como governador eleito, criou o programa da Aliança Brasileira para o Progresso, com diretrizes básicas para “realizar estudos, planejamento e execução de programas de cooperação econômica, científica, social, educacional e cultural com os governos, entidades autárquicas e privadas, dos demais Estados da Federação, particularmente nas regiões do Norte, Nordeste e Centro Oeste do País, coordenando a ação de órgãos existentes e a execução de trabalhos que se relacionem com suas finalidades”.
 
Falou como estadista quando na Câmara Americana de Comercio, a 14 de fevereiro de 1963, explicou seus objetivos de sua recém-lançada Aliança Brasileira para o Progresso: “As relações entre os povos se estreitam de tal forma que interesses, ontem antagônicos, hoje se atraem e completam, de forma nítida, a vivência de problemas que alcançam os níveis mais altos onde se situam as filosofias e as ideologias. … Daí, haver-se acentuado o princípio da interdependência dos povos, que o comércio, praticado em bases de reciprocidade, sublinha como um caminho amplo de paz e entendimento.
 
Este é um mundo só, em que pesem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações. Nós acreditamos nessa soberania e nessa autodeterminação, quando elas se abrem com igualdade para todos os países, sem distinção de cortinas ou ambições pré-fabricadas nas oficinas de ideologias exóticas. (…) Friso, repito, insisto em que a Aliança Brasileira para o Progresso não é paulista, mas brasileira. Não tem sentido político, mas econômico. Não se prende à iniciativa pública, porém, acima de tudo, à iniciativa privada. Não se destina a ajudar políticos de qualquer cor partidária, mas propiciar meios ao desenvolvimento. Não é contra a Aliança para o Progresso, mas um aceno brasileiro para que ela possa realizar o seu alto fim”.
 
Em sua primeira administração, iniciou os trabalhos de reerquimento da região do Vale do Paraíba criando o Serviço de Melhoramentos do Vale do Paraíba, continuado com o  Pladi, elaborado  para 1963-66. Para o Vale do Ribeira, uma das regiões mais atrasadas, mandou explorar minas de ouro, chumbo, estanho, zinco, cobre, ferro e mármore da região, construindo usinas em Apiaí e Iporanga, represando o rio Palmital para gerar a energia necessária.
 
Em 1950, inaugurou o Hospital Regional e o Aeroporto de Pariquera Açu e, quando retornou ao governo em 1963, instruiu a equipe do Planejamento  a preparar o Plano Global para o Desenvolvimento do Vale do Ribeira e Litoral Sul. O problema da energia era crucial no Brasil. Em 1949, criou a Comissão de Energia Hidroelétrica, aprovando uma política energética que vem sendo executada até hoje.
 
Entendia que o desenvolvimento da agricultura dependia de créditos a custo acessível, fomento à produção diversificada (policultura), silos, tecnologia, e vias de escoamento e distribuição. Para tal, reorganizou a Secretaria da Agricultura. No planejamento para o período 1947-1951, propôs a intensificação da produção agrícola para estimular o trabalho e a riqueza no interior do Estado, favorecendo a indústria e o comércio nos grandes centros.
 
Para executar o plano de mecanização o Banco do Estado financiava a produção, deduzindo as despesas com a mecanização.  Nas sucessivas administrações organizou o Cadastro Agrícola do Estado, realizou o Programa de Experimentação de Produção para Difusão do Cooperativismo, elaborou o Plano de Colonização e Pequenas Propriedades, criou a Comissão de Assistência Técnica aos Lavradores e instalou a Colônia Agrícola Holambra, para imigrantes holandeses.
 
Planejamento
Não concebia governar sem planejar. Todas as suas campanhas foram desenvolvidas em torno de uma proposta de realizações. Cada administração que esteve sob sua responsabilidade seguiu um Planejamento Estratégico e Planos Setoriais. Quando interventor, governou com os planos do Governo Federal, porém, dando espaço à participação dos investidores através do Conselho de Expansão Econômica. Quando assumiu o primeiro mandato como governador eleito, governou seguindo as diretrizes apontadas no plano A Meta é o Homem, com que se apresentou como candidato.
 
E ao assumir seu segundo mandato como governador eleito, governou obedecendo ao Plano de Desenvolvimento Integrado – Pladi. Completou essa sua idéia com a criação da Secretaria de Planejamento.
 
Desde o tempo de Interventor do Estado, colocava a necessidade de integrar o planejamento da produção agrícola e da política viária para escoamento das safras entre os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Todas as estradas que planejou obedeciam a esse critério. As principais ferrovias e rodovias eram vias de penetração em direção ao Oeste e se interligavam com o Porto de Santos, que queria fosse o embarcadouro da produção também do Paraguai e da Bolívia.
 
O Pladi, apresentado em 1964, define as tendências da evolução da economia paulista e o papel que o poder público espera desempenhar  no triênio 1964/66. O plano é normativo no que se refere a investimentos do Estado e indicativo para o setor privado e fixa meta de crescimento da economia em 7% quando o crescimento demográfico estava em 3,5%. Prioriza para o Vale do Paraíba a promoção de condições humanas de vida e trabalho e a ampliação do mercado de trabalho pela criação de novas atividades.
 
Outro ponto forte durante sua gestão de 1963/66 foi propiciar a divisão do Estado em Regiões Administrativas.
 
O ciclo do café em São Paulo começou no Vale do Paraíba, mas essa região permaneceu algumas décadas abandonada, de tal forma que chegou a ver sua população diminuída. O maior problema era o das inundações e suas seqüelas sanitárias, inutilizando mais de 35 mil alqueires de terras férteis.
Em sua primeira administração, iniciou os trabalhos do que qualificava de reerguimento dessa região. Para isso, criou o Serviço de Melhoramentos do Vale do Paraíba, com mais de 20 engenheiros dirigindo turmas empenhadas na coleta dos dados hidrológicos topográficos e geológicos indispensáveis ao estudo dos problemas.
 
Em novembro de 1939, anunciava que em seis meses haviam estudado 120 km de rio, compreendendo uma área de 40 mil hectares.
O Pladi, elaborado para sua administração de 1963-66, priorizava para o Vale do Paraíba a promoção de condições humanas de vida e trabalho e ampliação do mercado de trabalho pela criação de novas e mais rendosas atividades.
 
Tradicionalmente uma das mais atrasadas e abandonadas regiões do Estado. Achou com acerto que o melhor caminho para o desenvolvimento da região era seguir sua vocação mineradora desde os tempos coloniais. Mandou explorar as minas de ouro, chumbo, estanho, zinco, cobre, ferro e mármore da região, construindo usinas em Apiaí e Iporanga, represando o rio Palmital para gerar a energia necessária.
 
Em novembro de 1939, na reunião de interventores federais, anunciava que “nessa região estamos instalando usinas capazes de fornecer ao país, e sobretudo às forças armadas, nada menos de 10 toneladas diárias de chumbo, e podemos produzir também 300 a 400 gramas diárias de prata”.
Anos depois, em 1955, falando a empresários no Rio de Janeiro, lamentava que a Usina de Apiaí não tivesse prosseguido em sua importante tarefa, que produzia 10 toneladas de chumbo quando deixou o governo e disse não saber o que ocasionou a paralisação.
 
Inaugurou Centros de Saúde e escolas em pelo menos oito municípios da região e a 18/1/50 inaugurou o único hospital até hoje construído no Vale do Ribeira, o Hospital Regional de Pariquera Açu. Em dezembro de 2000, a comunidade de Pariquera Açu comemorou festivamente o 50º aniversário da conclusão das obras desse hospital.
 
Ele acreditava “que não existem raças nem povos inferiores ou indolentes. O que existe, isto sim, como no caso particular de que tratamos (o subdesenvolvimento do Vale do Ribeira), é falta de uma orientação assistencial que eduque a população no sentido de despertar-lhe e assegurar-lhe os princípios de uma vida elevada e digna, que é a que merece a pessoa humana. Proporcionamos, pois, a ela toda assistência de que necessita e vê-la-emos transformada no poderoso fator de trabalho e progresso, que é o elemento homem, forte, sadio e civilizado”.
 
Para integrar a região à economia do Estado, providenciou a ligação por mar entre Iguape e Santos, e completou a linha férrea da Sorocabana no trecho Juquiá – Santos. Promoveu também a recuperação do serviço de navegação fluvial na bacia do Ribeira, que estava a cargo de empresa particular, passando-a para a Sorocabana. Para muitos dos povoados da região o único contato com a civilização era a chegada do barco com o correio, o padre para casamentos e batizados. Mais tarde, foi providenciado um barco hospital que atendia a população do Vale.
 
Quando assumiu o governo, eleito, em 1947, a situação da agricultura –  particularmente nas culturas de banana e arroz – estava bastante deteriorada por causa das enchentes.  Solicitou, então, um estudo indicando as providências a serem adotadas imediatamente, as quais foram efetivamente realizadas: Ponte sobre o Rio Juquiá, em Santo Antonio de Juquiá; Ponte sobre o Rio Ribeira de Iguape, em Registro; Construção de estradas de rodagem que façam ligação de Iporanga com Xiririca (Eldorado Paulista) )passando pelas barras do Turvo, Braço e Batatal) e de Iporanga a Serrana, passando por Braço; Construção de um trecho de estrada de rodagem ligando diretamente às minas de fosfato de Jacupiranga à estrada da ex-colonia, para dar saída rápida do minério até o Mar de Cubatão; Recomeçar e concluir a construção da estrada de Biguá à Iguape, em uma extensão de 50 km, dos quais 12 já estão concluídos; Construção de um cais atracável no Cubatão, no mar do mesmo nome, para escoamento dos produtos regionais por via marítima; Proceder o balisamento da Barra do Icapara; Desobstrução do Rio Ribeira e seus afluentes em seus trechos navegáveis; Reaparelhamento dos navios da antiga Cia. De Navegação Fluvial Sul Paulista e reiniciar regularmente o transporte fluvial marítimo; Regularizar o serviço de navegação, em canoas com motor de popa, entre Xiririca e Iporanga; Regularizar o serviço de correio em Iporanga; Facilitar a criação de uma linha regular de ônibus entre Iporanga e Apiaí; Prolongar a Estrada de Ferro  Sorocabana além de Juquiá, conforme plano já existente; Prosseguir a construção da estrada de rodagem Juquiá a Santos; criação de uma Estação Experimental Tropical em Santos; Criação de um campo de produção de sementes e mudas, destinado a atender os agricultores do litoral, em Registro; Criação de um Posto Zootécnico, em Registro; Criação de um Posto de Monta, em Xiririca; Criação de uma Escola de Pesca, em Iguape; Criação de uma Escola Profissional Mista, em Registro; Criação de um Centro de Saúde, em Iporanga; Reaparelhamento dos Centros de Saúde e de meios para facilitar a permanência dos médicos nas suas zonas, dando maior eficiência ao serviço.
 
Em 1950, mandou construir o Aeroporto de Pariquera Açu e, quando retornou ao governo em 1963,  instruiu a equipe do Planejamento de sua administração a preparar o Plano Global para o Desenvolvimento do Vale do Ribeira e Litoral Sul. O Plano previa obras contra cheias, irrigação e drenagem, geração de energia, abastecimento  de água e urbanização.
 
Política Energética
O problema da energia era crucial no Brasil das décadas 1930, 1940 e 1950. O rápido desenvolvimento urbano e a industrialização geravam desusado incremento na demanda e a produção não a acompanhava. País de imensos recursos hídricos não tinha, no início, recursos financeiros nem tecnológicos para seu aproveitamento. Pregava a necessidade de um esforço conjunto entre os governos federal e estaduais e a iniciativa privada para solucionar a questão.
 
Como interventor, liberou recursos e realizou obras que viabilizaram o projeto da Light para os rios Tietê e Pinheiros e o complexo das represas que alimentam as turbinas da usina de Cubatão e  colocou em funcionamento os sistemas de Paraibuna e Paraitinga.
 
Em 1949, como governador eleito, fez com que a Cia. Geral de Eletricidade realizasse os estudos para aproveitamento do Rio Pardo. Nesse mesmo ano o Instituto Geográfico e Geológico realizou levantamento topográfico dos rios Paranapanema, Tietê, Taquari, Batalha, Barra Mansa, Paraná e Itararé numa extensão de 1.735 KM. Também realizou estudos das cachoeiras.
 
Também foi durante esse seu segundo mandato que Adhemar com o engenheiro Caio Dias Batista na Secretaria de Obras e os engenheiros Machado de Campos e Lucas Nogueira Garcez, criou a Comissão de Energia Hidroelétrica, aprovando uma política energética que vem sendo executada até hoje. A primeira grande obra projetada foi a Usina de Salto Grande.
 
Em 1963, promoveu estudos para unificação das empresas de eletrificação e propiciou a criação das Centrais Elétricas de São Paulo – Cesp, agrupando as  Centrais Elétricas de Urubupunga – Celusa,  Centrais Hidrelétricas do Rio Pardo –,Cherp e  Usinas Elétricas do Paranapanema – Uselpa. É dessa época também a execução de extenso plano de Eletrificação Rural.
 
Em maio de 1964, o sistema Ligth tinha, além de Cubatão, a usina termoelétrica de Piratininga, e o governo do Estado estava administrando as usinas de Barra Bonita, Graminha e a construção do complexo de Urubupunga (Jupiá e Ilha Solteira).
 
E segundo os planos existentes, até 1970 deveriam estar em pleno funcionamento várias usinas novas no Estado: Limoeiro, Euclides da Cunha, Bariri, Graminha, Xavantes, Piraju, Ibitinga, Caraguatatuba e Urubupungá, agregando 3.000.000 kw mais que o dobro da existe.
 
Agricultura e Abastecimento
 Entendia que o desenvolvimento da agricultura dependia de créditos a custo acessível, fomento à produção diversificada (policultura), silos, tecnologia, e vias de escoamento e distribuição. Para alcançar esse objetivo, primeira preocupação como governador foi organizar o setor agrícola.
 
No planejamento para o período 1947-1951, propôs a intensificação da produção agrícola para estimular o trabalho e a riqueza no interior do Estado, favorecendo a indústria e o comércio nos grandes centros.   Instituiu o  Cadastro Agrícola do Estado, realizou o Programa de Experimentação de Produção para Difusão do Cooperativismo. Só em 1940, através do Departamento de Fomento ao Cooperativismo, surgiram 64 novas cooperativas. Para 1950 já deveria alcançar 320. A safra relativa ao ano agrícola 1939/40 foi superior a qualquer outra colheita no estado anteriormente.
 
Propiciou a reorganização do Instituto Biológico de Defesa Agrícola e Animal e do Departamento Geográfico e Geológico. Criou a Comissão de Assistência Técnica aos Lavradores; elaborou o Plano de Colonização e Pequenas Propriedades e instalou a Colônia Agrícola Holambra, para imigrantes holandeses. Para executar o plano de mecanização da lavoura o Banco do Estado financiava a produção, deduzindo as despesas com a mecanização.
 
Outra prioridade dos governos comandados por Adhemar de Barros, para alicerçar o desenvolvimento agrícola,  foi a formação e capacitação de técnicos através de escolas profissionalizantes disseminadas por todas as regiões do Estado.
Em 1948 realizou um Congresso Rural para receber sugestões sobre desenvolvimento agrícola. Em 1964 criou o Fundo de Expansão Agropecuária e, entre 1965/66, ampliou o volume de recursos destinados à agricultura e pecuária que eram de 7% para 11% do orçamento.
 
Paralelamente a organização da produção, foi realizado o planejamento viário com a finalidade de escoar a produção para os centros de consumo e também de exportação. O plano viário e de transporte era parte da estratégia de desenvolvimento que Adhemar propôs a cada administração que dirigiu, como Interventor e como Governador eleito para dois mandatos.
 
A preocupação maior no planejamento, tanto da questão agrícola como da de transporte, era o abastecimento dos centros urbanos, particularmente a capital, e o acesso dos produtos exportáveis ao porto de Santos. Nelson A Rockefeller, magnata dos Estados Unidos com grande influência na política de relações exteriores daquele país, em carta dirigida a Adhemar de Barros dizia: “não há dúvida alguma que o seu projeto para tornar possível as facilidades de comunicação modernas à enorme seção agricultural de seu Estado, ajudará imensamente a distribuição de produtos agrícolas e manufaturados. Além disso, aumentaria o abastecimento de comestíveis nas suas cidades, faria com que os rendimentos dos fazendeiros dos subúrbios aumentassem…”.
 
Sua preocupação com a produção e distribuição da produção agrícola tinha implícita sua preocupação com a saúde e bem estar da população: Explicava Adhemar:  “(…) em todo programa de abastecimento não basta estocar mercadorias e suprir mercados: é preciso ir mais além, providenciar no sentido de criar condições indispensáveis à saúde do povo, mediante uma dieta alimentar adequada”.
 
No Plano de Desenvolvimento Integrado -Pladi, propôs criar centros de abastecimento nas cidades com mais de 100 mil habitantes; construiu o maior entreposto de distribuição de alimentos, o Ceasa e elevou para 400 mil toneladas, ou seja, cinco vezes mais, a capacidade da Rede de Silos distribuidores; 500 mil toneladas de capacidade para os silos coletores. Ao criar o Ceagesp, em 1949, elevou a capacidade armazenadora de 15 mil toneladas para 600 mil toneladas. Propiciou também a construção de um entreposto de pesca em Santos e de armazéns especiais frigorificados para pescados no Ceasa e no interior. O Ceasa, no Jaguaré, alterou profundamente o sistema de abastecimento da capital e do interior.
 
Política Industrial
Como interventor, foi o executor do programa de Vargas, ajudando-o a construir as bases para o desenvolvimento industrial do país. Em outubro de 1938 organizou o Conselho de Expansão Econômica, com figuras de relevo dos setores industrial, agrícola e comercial. Aí se debatia os melhores caminhos para o investimento do capital privado e o apoio que o Estado poderia dar para viabilizar novos empreendimentos. Alias, essa foi uma das características marcantes das administrações comandadas por Adhemar de Barros: -chamar os setores responsáveis pela produção para debater com os técnicos do Estado os caminhos para o desenvolvimento. No início de 1939, por exemplo, chamou o Conselho para debater soluções para a crise que se apresentava na indústria têxtil.
 
Quando deixou o governo em 1941, esse Conselho ficou paralisado até que ele, eleito, voltou ao governo em 1947. Em 1948 já havia realizado 28 reuniões. O Conselho sugeriu e Adhemar executou, entre outras obras, o Entreposto de Pescado e Câmaras Frigoríficas em Santos; Estaleiros também no litoral santista. Atendendo reivindicação dos usineiros de açúcar, decretou a mistura de 15% de álcool à gasolina. Voltando ao governo em 1963, criou o Fundo de Expansão da Indústria de Base e o Fundo para Financiamento da Industria de Bens de Produção. Em 1944 criou o Departamento de Produção Industrial.
 
Dizia às classes produtoras que movimentando o tesouro do Estado para grandes obras, fomentando a economia, formando técnicos, facilitando o desenvolvimento da indústria, do comércio e da lavoura, estava contribuindo para o crescimento da iniciativa privada na produção. Chamava insistentemente os empresários a investirem na industria.  Eleito para governar no período 1947-1951, fez com que o Instituto de Pesquisa Tecnológica – IPT -, em colaboração com a Escola Politécnica da USP, se transformasse em instrumento para o fomento à indústria através de programas de assistência técnica envolvendo pesquisa e formação profissional.
 
A Cosipa, idealizada na década de 50, só entrou em funcionamento em 1964, produzindo 800 mil toneladas.  Era muito importante porque São Paulo concentrava mais de 50% da demanda de aço do país.
 
O Banco do Estado, multiplicando as agências pelos municípios do interior financiou em grande parte a descentralização da produção industrial.
 
Turismo
Desde 1940, como interventor no Estado, preocupava-se com o desenvolvimento  no setor de turismo investindo em melhoramentos nas 15 estâncias criadas no litoral, na serra e no interior, dotando-as de rede de abastecimento de água e de coleta de esgoto, pavimentação de ruas, reformando e modernizando os hotéis: Guarujá; São José dos Campos; Águas da Prata; Lindóia; Caraguatatuba; Serra Negra; São Pedro; Campos do Jordão; Termas de Ibirá; Socorro. Na gestão de 1963/66, criou a Secretaria de Estado dos Negócios do Turismo, “para que o turismo viesse a ser fonte de recursos como o é na Europa”.
 
A primeira ação dessa nova secretaria foi elaborar Planos Diretores para as Estâncias e investir na construção de hotéis e balneários. Resolveu, também, o problema de saneamento básico e de abastecimento de água nas Estâncias.
 
Administração Pública
Nos primeiros anos como administrador do Estado, promoveu ampla reforma administrativa, no entendimento de que para governar com eficiência deveria contar com uma retaguarda bem organizada. Esse empenho esteve presente como prioridade nas gestões subseqüentes. Além dos departamentos especializados, alguns dos quais posteriormente foram transformados em Secretarias,  nos doze anos em que Adhemar governou São Paulo foram criadas sete Secretarias de Estado: Secretaria da Saúde; Secretaria da Educação; Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio; Secretaria do Interior; Secretaria de Economia e Planejamento; Secretaria de Negócios Metropolitanos; Secretaria de Esporte e Turismo.
 
Na reforma administrativa para conseguir realizar seus planos, descentralizou o serviço público. Nesse aspecto, outro ponto forte de sua administração  foi propiciar, durante sua gestão de 1963/66, a divisão do Estado em Regiões Administrativas.
 
Outro ponto forte foi com relação ao trabalhador dos serviços públicos. A reforma administrativa contemplou ampla reforma no sistema de cargos e salários, introduziu concurso onde não havia, e propiciou amplos programas de capacitação do funcionalismo. Paralelamente, reorganizou o Instituto de Previdência, reformou o Hospital do Servidor Estadual, construiu boa parte do Hospital Municipal, além de realizar programas de construção de moradias.
 
Política de Segurança Pública
Entre 1938 e 1939, promoveu a reforma da Penitenciária do Estado, que passou a ser considerada uma das melhores do mundo e estava incluída no roteiro turístico da cidade.
 
Em 1947, priorizou a descentralização da atividade policial com a criação das Delegacias Circunscricionais, na capital, a instalação de distritos policiais nos bairros industriais e a construção de novas delegacias no interior.
 
Para enfrentar o aumento da criminalidade e os surtos grevistas, reestruturou o aparelho policial, ordenou estudos para a criação da Polícia Feminina do Estado e para a reestruturação da Força Pública. Enfatizou planos de Descentralização Penitenciária e obras na Casa de Detenção, no Presídio Tiradentes e no Presídio da Rua do Hipódromo. É desse período a criação da Escola de Polícia e do Policiamento Móvel Motorizado, com as Radiopatrulhas e o Agrupamento para Policiamento Geral e Urbano. Também dotou de novos meios de transporte as unidades policiais.
 
No período de 1947 a 1952, as atividades básicas no setor de segurança estavam relacionadas ao problema dos menores na capital e a processos de desapropriação e aquisição de terrenos e imóveis. Na questão dos menores, atacou o problema promovendo a reeducação e criando instituições corretoras. Instituiu os cursos de Assistência psicopedagógica para delinqüentes.
 
Quando Prefeito da capital, entre 1957 e 61, preocupado com as questões de Segurança procurava auxiliar o Estado no esforço de melhorar o desempenho do setor. Em julho de 1960, por exemplo, assinou Decreto declarando de utilidade pública terrenos localizados nas Ruas Camilo e Vespasiano, no bairro da Lapa, destinados à construção da Delegacia Circunscricional do 14º subdistrito, hoje a 7ª DP. Ainda como Prefeito, determinou, por meio de projeto de lei, a criação do Departamento Municipal de Trânsito e da Polícia Municipal.
 
No terceiro mandato, a ênfase de sua administração esteve nos Planos de Descentralização Penitenciária. Também promoveu obras na Casa de Detenção e no Presídio da Rua do Hipódromo. É desse mesmo período a criação da Escola de Polícia e do Policiamento Móvel Motorizado na capital. Também dotou de novos meios de transporte as unidades policiais. Governador, propiciou a Reforma da Secretaria da Justiça do Estado e criou o Departamento Jurídico do Estado. Criou também Postos de Identificação na capital e no interior e concluiu as obras de reforma da Penitenciária do Estado. Nesse mesmo ano, propiciou a transformação nas penitenciárias, nos trabalhos dos internos que deixam de ser meramente artesanais para entrar no ciclo industrial.
 
Política Social
Seguindo orientação do governo federal, foi criado o Departamento de Assistência Social do Estado, com o objetivo de, segundo decreto de Vargas, “diminuir ou suprimir as deficiências ou sofrimentos causados pela pobreza ou pela miséria ou oriundos de qualquer outra forma de desajustamento  social, e de reconduzir, tanto o indivíduo como a família, na medida do possível, a um nível satisfatório de existência no meio em que habitam”.
 
Fato novo na política brasileira foi o trabalho da esposa de Adhemar, D. Leonor Mendes de Barros, na área social. Ela revolucionou o papel da mulher junto ao Estado: jamais aceitou ser somente uma dona de casa. Católica praticante, considerava que tinha uma missão por cumprir e pôs-se a trabalhar. D. Leonor dirigia pessoalmente o trabalho social e desenvolvia campanhas periódicas – como a do agasalho e o Natal da Criança, distribuindo alimentos e brinquedos; apoio às creches, amparo às crianças abandonadas e enfermas.
 
Criou e presidiu a Bandeira Paulista contra a Tuberculose. Fundou a Assistência Social Leonor Mendes de Barros e a Casa Maternal, na capital. Colaborava com a Associação Evangélica Beneficente de Santos e com a Liga de Assistência Social e Combate à Tuberculose de São José dos Campos.
 
Fundou e manteve os Pavilhões Leonor Mendes de Barros e Nossa Senhora das Graças, ambos no complexo do Hospital do Mandaqui; o abrigo de Emergência na Moóca e em Sorocaba. Colaborava na manutenção do Sanatório de Bussocaba, em Osasco; dos Pavilhões  Sóter de Araújo e Guilherme Álvaro, em Santos.  Na área de Proteção à infância, inúmeras creches foram patrocinadas ou construídas com o seu apoio.
 
Realizava todos os anos a Campanha de Natal das Crianças Pobres e, no inverno, a Campanha do Agasalho. Foi iniciativa sua a criação da Casa Maternal para atenção às mães solteiras. Foi também uma grande promotora política nas campanhas eleitorais. Liderou a criação do Movimento Político Feminino, fundado em setembro de 1947. Criou o Departamento Feminino no Comitê da Vitória na campanha de 1954. Participava dos comícios, organizava festas e reuniões.
Desde sua primeira gestão, a maior preocupação na área social eram as crianças.
 
Para as abandonadas, remodelou o Instituto Modelo de Menores e, em 1940, inaugurou mais quatro pavilhões-dormitório e o pavilhão para menores no Instituto Padre Chico, especializado no atendimento a cegos. Em 1947, instituiu a Fundação do Bem-Estar do Menor e criou os primeiros Conselhos Comunitários de Bem-Estar Social. Em 1960, inaugurou o Instituto Municipal de Educação de Surdos, especializado em crianças. Em 1961, criou o Centro Assistencial de Vila Prudente. No período 1963 a 66, criou o Plano Estadual de Assistência e o Programa de Proteção a Mulher, Crianças e Inválidos. Construiu também o Instituto para Menores e instituiu o Serviço de Remuneração do Albergue Noturno da capital.
 
Para a questão do menor abandonado, reestruturou o Instituto Modelo de Menores, inaugurando em 1940 quatro pavilhões dormitórios para acomodar 160 internos e um pavilhão no Instituto Padre Chico, especializado no atendimento a cegos. Na gestão iniciada em 1947, propiciou estudos para a criação da Fundação do Bem-Estar do Menor e criou os primeiros Conselhos Comunitários de Bem-Estar Social. Em abril de 1957, como prefeito da capital,  libera recursos para conclusão das obras da sede da Sociedade de Albergues Noturnos, no Cambuci. Nessa mesma época libera recursos para o Lar Escola São Francisco.
 
Em setembro 1960, inaugurou o Instituto Municipal de Educação de Surdos, especializado no atendimento a crianças. No período 1963 a 66, criou o Plano Estadual de Assistência e o Programa de Proteção a Mulher, Crianças e Inválidos. Construiu nessa gestão o Instituto para Menores na capital. Instituiu também o Serviço de Remuneração do Albergue Noturno da capital.
Foi o primeiro administrador a criar Serviço de Comunidades ligado aos Conselhos Comunitários de Bem-Estar Social.
 
Esse serviço realizou o Trabalho Piloto da Comunidade de Vila Gumercindo. Em 1965, providencia a reforma da Associação dos Surdos e Mudos do Estado de São Paulo, na capital.
Na área de assistência ao trabalhador, instituiu cursos de especialização para operários, em parceria com instituições privadas e organizações de trabalhadores. Desde sua gestão iniciada em 1947, vinha executando um Plano de Desfavelamento do Estado e criou o Plano da Casa Própria – o Cecapi –, programa de construção de casas populares. Em junho de 1960, promulga Lei que cria o Instituto Municipal de Previdência, cuja finalidade é construir, em terrenos municipais, casas populares que serão vendidas com financiamento de longo prazo.
 Foram aprovadas diversas leis para os Servidores: 21/2/1948 – Lei nº 74, por meio da qual foi extinta a repartição do Serviço Civil e concomitantemente desdobrado o Quadro Geral do funcionalismo em quadros parciais por Secretarias de Estado, voltando a estas o controle da vida funcional de seus servidores; 14/3/1948 – inaugura diversos melhoramentos públicos. Pedra fundamental do prédio, que servirá de sede para o Instituto de Previdência do Estado; 11/6/1960 – Projeto de Lei encaminhado ao Prefeito Adhemar de Barros, que dispõe sobre a criação do Instituto Municipal de Previdência.
 
Sua finalidade é construir, em terrenos municipais casas populares, que serão vendidas em longo prazo; 1949 – Projeto Asdrúbal da Cunha (Fonte: Jornal O Cruzeiro).
 
Cidade de São Paulo
São Paulo elegeu o seu primeiro Prefeito somente em 1954, quando conquistou a emancipação política. Até então, os responsáveis pela administração eram os próprios Governadores, que nomeavam seus Prefeitos. Foi responsável pela administração de São Paulo quando foi interventor, de 1938 a 41, como Governador eleito, de 1947 a 51, e finalmente, de 1957 a 61, eleito Prefeito por eleição direta. Quando interventor, criou o Departamento das Municipalidades, para planejar e gerenciar as administrações.
 
Manteve no cargo Francisco Prestes Maia, Prefeito nomeado por seu antecessor. Para quem tudo devia ser planejado, deu todo apoio e recurso que Maia necessitava para melhorar a capital.
Em suas gestões, realizou muitas obras para e pelo Estado e que também contribuíram para renovar a paisagem paulistana. Cabe mencionar o edifício do Banco do Estado de São Paulo; a Biblioteca Municipal; o edifício da Caixa Econômica Federal de São Paulo; o prédio do Instituto de Previdência do Estado; Edifício da Secretaria da Fazenda. Muitas de suas obras são referências nacionais como o novo Viaduto do Chá e Parque do Anhangabaú, o Túnel e a Avenida Nove de Julho, as Avenidas Celso Garcia, Tiradentes, Campos Elíseos, Radial Leste, Itororó (23 de Maio). A urbanização do Rio Tietê e a canalização de vários de seus afluentes –  que além de provocarem  inundações estavam sendo transformados em esgotos a céu aberto – aliadas à construção de galerias pluviais foram outras das suas preocupações. Foram construídas em suas administrações as pontes das Bandeiras, Casa Verde, da Lapa, do Limão.
 
O turismo urbano também foi incentivado por Adhemar. Em 1940, adquiriu terras e criou um parque no Pico do Jaraguá, preservando a mata nativa numa extensão de 45 milhões de metros quadrados.
 
Em 1939, criou o Departamento de Zoologia da Secretaria de Agricultura, que assumiu a seção de zoologia do Museu Paulista, com a denominação de Museu de Zoologia. Em 1969, integrou-se à USP. Em 1947, criou o Conselho de Orientação Artística para promover e coordenar atividades artísticas. Nesse mesmo ano, inaugurou o VII Salão Paulista de Belas Artes. Foi também o responsável pela reforma da estrutura do Museu Paulista, no Ipiranga, que é subordinado a USP.
 
Em 1940, liberou recursos para a construção e habilitação da Biblioteca Municipal Mário de Andrade. Também construiu, na capital, um número expressivo de escolas, faculdades, centros culturais, instituições que contribuíram para transformar a cidade no principal pólo cultural do país. Instituiu o Departamento de Educação Física DEF e o complexo olímpico da Água Branca, hoje denominado Baby Barioni. O Autódromo de Interlagos inaugurado em novembro de 1939 – foi o primeiro a ser construído no Brasil. O Estádio Municipal do Pacaembu e a sua Praça de Esportes foram inaugurados em 1940.
 
Interior de São Paulo
Adhemar de Barros foi mesmo um realizador de obras. E foi diferente dos demais administradores que governaram São Paulo porque além de atender as emergências, administrava com planejamento de curto, médio e longo prazo. Será difícil, se não for impossível, encontrar uma cidade do interior paulista que não tenha pelo menos uma obra realizada por Adhemar de Barros em uma ou mais de suas gestões como governador do Estado.
 
Acervo de Adhemar de Barros
O projeto de pesquisa, recuperação, classificação e arquivamento do Acervo de Adhemar de Barros, bem como a confecção do Banco de Dados de Referência foi inteiramente desenvolvido pela Nova Sociedade Comunicação com equipe de consultores independentes e estagiários e a coordenação geral do jornalista e ensaísta Paulo Cannabrava Filho. Os procedimentos para pesquisa e classificação foram planejados e implantados por Suely M. Grisanti, mestre em história, graduada em biblioteconomia que treinou a equipe inicial. A etapa de implementação e atualização dos procedimentos de pesquisa e classificação foi desenvolvida pela socióloga com especialização em Patrimônio Cultural Silvia Maria do Espírito Santo.
 
A pesquisa iconográfica na área de fotografias contou com a orientação técnica do fotógrafo e pesquisador Iatã Cannabrava. As sistematizações foram elaboradas pelo coordenador geral auxiliado por suas assistentes. Integraram a equipe de trabalho: Dra. Carla Renata Ferreira, engenheira, como assistente da coordenação geral; Mestranda Denise Carvalho, jornalista, como assistente da coordenação geral; Cláudio Oliveira Ribeiro – mestrando em sociologia, na pesquisa de documentos; Kátia Regina Riedel – mestranda em sociologia urbana, na pesquisa de documentos; Mirian Della Posta de Azevedo – acadêmica de história, na pesquisa de documentos; Andréa Costa Soares – acadêmica em Artes Cênicas, na pesquisa iconográfica; Mariana de Oliveira Sampaio – acadêmica em Arte Fotográfica, na pesquisa iconográfica; Silvina Andréa Bianchini – acadêmica de história, na pesquisa iconográfica e histórica; Rodrigo O. Ribeiro – acadêmico de história, na pesquisa de documentos; José Maria Pereira Lopes – especialista em pesquisa na área de cinema e vídeo, na pesquisa iconográfica de imagens em movimento; Viviani Lorençon de Souza – programadora de informática – encarregada do desenvolvimento do banco de dados; Gislene Pogetti Chaves – especializada em editoração eletrônica – encarregada da programação em HTML; Ana Lúcia Marcondes, artista plástica, encarregada da programação visual. 

*Acervo de Adhemar de Barros: http://www.adhemar.debarros.nom.br/

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